Antes de o sol nascer, o expediente já começou para muitos empregados (as) do Banpará.
Há quem atravesse estradas, quem more em uma cidade e trabalhe em outra, quem deixe casa, filhos e rotina para garantir que a agência esteja aberta, que o comércio funcione, que o crédito chegue e que a economia local respire.
Esse é o verdadeiro protagonista do Banco: o trabalhador (a).
Foi olhando para essa realidade, e não para planilhas frias dentro de um gabinete, que a nossa AFBEPA esteve, na terça e quarta-feira, 10 e 11 de março, nas agências de Cachoeira do Piriá, Santa Luzia do Pará, Bonito, Nova Esperança do Piriá, Garrafão do Norte e Capitão Poço.
Entre estradas cercadas de verde, rios silenciosos e cidades que crescem no nordeste paraense, uma certeza ecoa em cada conversa dentro das agências: quem sustenta o Banco todos os dias não pode aceitar que o seu valor seja reduzido a números tímidos numa mesa de negociação.
Hoje, no Brasil, viver com dignidade custa caro.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de aproximadamente R$ 7.156,15, quase cinco vezes mais que o salário mínimo oficial.
Esse cálculo considera alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário e lazer, ou seja, o mínimo necessário para uma vida digna.
Na prática, uma família média precisa lidar, mês após mês, com despesas que não param de subir:
• Alimentação básica: R$ 1.000 a R$ 1.500
• Energia elétrica: R$ 250 a R$ 400
• Internet e telefone: R$ 120 a R$ 200
• Transporte ou combustível: R$ 500 a R$ 900
• Moradia (aluguel ou financiamento): R$ 1.500 a R$ 3.500
• Educação, saúde e despesas diversas: R$ 1.000 a R$ 2.500
Ou seja: para viver, não apenas sobreviver, uma família brasileira precisa ter de salário algo entre R$ 5 mil e R$ 7 mil por mês.
E essa conta não inclui luxo.
Inclui Dignidade.
Enquanto o custo de vida sobe para quem trabalha, o sistema financeiro segue registrando lucros históricos.
• Em 2022, os grandes Bancos brasileiros tiveram lucros superiores a R$ 106 bilhões.
• Em 2024, os quatro maiores Bancos do país alcançaram R$ 108,2 bilhões de lucro, o maior resultado da história do setor.
Entre os resultados individuais:
• O Itaú Unibanco registrou R$ 40,2 bilhões de lucro em 2024, o maior lucro já registrado por um Banco brasileiro.
Ou seja: enquanto o trabalhador (a) enfrenta inflação no supermercado, na energia, no aluguel e no combustível, o sistema financeiro segue acumulando resultados bilionários ano após ano.
Diante dessa realidade econômica, surge a pergunta inevitável:
é justo aceitar um ganho real de 0,5%, 0,6% ou 0,7%?
Percentuais que, na prática, não alteram a realidade de quem trabalha todos os dias para fazer os Bancos lucrarem.
Aceitar esses "ganhos reais rebaixadíssimos" é admitir que o esforço do trabalhador (a) para fazer os lucros dos Bancos não vale nada!
É aceitar que o protagonismo do trabalhador (a) seja reduzido a migalha.
E quem conhece a história da nossa categoria sabe:
Os empregados (as) do Banpará são muito maiores do que isso. Por isso os nossos NÃOS EM 2024 À CCT/FENABAN.
É com esse espírito que a AFBEPA percorre o Estado.
Não apenas para visitar agências, mas para fortalecer algo essencial: a nossa unidade.
Cada conversa nas agências, cada escuta, cada encontro tem um propósito claro: nos prepararmos para uma campanha salarial que esteja à nossa altura.
A história mostra que direitos não surgem do acaso.
Eles surgem da nossa mobilização.
Da nossa Luta.
Sem submissão.
Sem apequenamento.
Sem aceitar que empurrem para o funcionalismo acordos que não refletem a realidade de quem trabalha.
Porque quando o trabalhador(a) é protagonista, a negociação precisa respeitar essa grandeza.
E é exatamente por isso que a nossa Associação segue firme: combativa, presente e preparada para lutar por uma campanha salarial justa para cada empregado e empregada do Banpará.
Confira as fotos
Ag. Cachoeira do Piriá
Ag. Garrafão do Norte
UNIDOS SOMOS FORTES
A DIREÇÃO DA AFBEPA
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