Por muito tempo, falar de saúde mental no trabalho foi quase um tabu. Quando alguém adoecia, a pergunta costumava ser: “será que não aguentou a pressão?” Pouco se discutia sobre o tamanho dessa pressão, e sobre quem a produzia.
Com a nova NR-1, essa lógica começa a mudar.
A norma passa a exigir que as empresas identifiquem, avaliem e controlem os chamados riscos psicossociais. O nome é técnico, mas a realidade é conhecida pelos bancários (as): metas excessivas, sobrecarga, assédio moral, falta de pessoal, cobrança permanente e ambientes onde o trabalhador (a) sente que está sempre devendo.
É como uma panela de pressão. Por fora, tudo parece funcionando. Por dentro, a tensão só aumenta. E, sem válvula de escape, uma hora o corpo e a mente cobram a conta.
No setor bancário, esse debate tem endereço e rotina. Está na agência com equipe reduzida, no atendimento ao público em dias de sistema instável, nas metas que ignoram a realidade da unidade, no acúmulo de funções e no cansaço que o fim de semana já não resolve.
A saúde mental, muitas vezes, não grita no começo. Ela sussurra: insônia, irritação, dor no corpo, falta de concentração, ansiedade antes de chegar ao trabalho, medo de abrir o e-mail, choro escondido no banheiro, entre outros.
Quando esses sinais se repetem entre muitos trabalhadores (as), o problema não pode ser tratado como caso isolado.
A nova NR-1 reconhece algo que a categoria já sente na pele: o modo como o trabalho é organizado também pode adoecer. Não basta cuidar da cadeira, do computador ou da iluminação. Também é preciso olhar para o ambiente emocional e organizacional onde o trabalho acontece.
Afinal, uma agência adoecedora não é apenas aquela com infiltração, equipamento quebrado ou internet ruim. Também é aquela onde a pressão virou método de gestão.
A norma não significa que todo caso de ansiedade, depressão ou burnout será automaticamente considerado doença do trabalho. Cada situação precisa ser analisada. Mas a mudança reforça uma compreensão essencial: quando o ambiente contribui para o adoecimento, a empresa precisa agir antes que o dano aconteça.
Saúde mental não pode ser campanha bonita uma vez por ano.
Nesse cenário, a nossa AFBEPA tem buscado cumprir seu papel de acolhimento e suporte aos associados e associadas. A nossa Associação oferece serviço de psicoterapia e conta atualmente com três psicólogos à disposição da categoria, criando um espaço de escuta e cuidado para os funcionários (as) que, muitas vezes, enfrentam sofrimento em silêncio.
Mas é preciso afirmar com clareza: o acolhimento oferecido pela AFBEPA não substitui a responsabilidade do empregador.
O Banpará deixou de cumprir a Cláusula 68, parágrafo 5º, do ACT, que previa a oferta de serviços de psicologia e psiquiatria aos trabalhadores e trabalhadoras. Essa pendência não é somente um detalhe administrativo. Quando se fala de saúde mental, ausência de política efetiva também é uma escolha.
Trabalhador (a) não é máquina. Máquina dá defeito, recebe manutenção e volta a operar. Gente sente, acumula, adoece e, muitas vezes, continua tentando funcionar mesmo em sofrimento.
Por isso, a aplicação da nova NR-1 precisa sair do papel. O Banco deve adotar medidas reais de prevenção, enfrentar o assédio moral, rever práticas abusivas de cobrança, garantir atendimento especializado e ouvir quem está na linha de frente.
Quando muitos adoecem tentando dar conta do impossível, o problema não está na resistência de cada um(a).
Está no peso que colocaram sobre todos (as).
A AFBEPA seguirá acompanhando o tema, oferecendo suporte aos nossos associados e associadas e cobrando que o Banpará cumpra suas responsabilidades. Porque defender saúde mental também é defender respeito, dignidade e condições humanas de trabalho.
UNIDOS SOMOS FORTES
A DIREÇÃO DA AFBEPA







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