No Marajó, as distâncias dos rios não se mede em quilômetros, mas em horas de travessia. Entre um município e outro, o caminho é feito pelos rios largos da Amazônia, onde o tempo corre no ritmo das embarcações. Foi nesse cenário que a AFBEPA voltou à região para ouvir de perto o funcionalismo do Banpará.
A entidade esteve, durante esta semana, nos municípios de Breves, Afuá, Gurupá e Chaves, em uma agenda marcada por longas travessias entre cidades e pela escuta atenta de quem trabalha em uma das regiões mais desafiadoras do Estado.
A presença da nossa Associação não é protocolar. No arquipélago, as equipes são reduzidas, o volume de trabalho cresce e a realidade de sobrecarga é constante, ainda mais em um contexto onde o Banco atua, principalmente, como agente social. Ouvir esses trabalhadores (as) é parte de um compromisso: levar suas vozes para o centro do debate sobre condições de trabalho e valorização salarial da nossa categoria.
Os números do setor bancário ajudam a dimensionar o problema. Nos últimos dez anos, os afastamentos por transtornos mentais entre bancários cresceram 168%, passando de 5.411 casos em 2014 para 14.525 em 2024, segundo dados do INSS. Ao mesmo tempo, mais de 88 mil postos de trabalho foram eliminados no sistema financeiro, ampliando a pressão sobre quem permanece nas agências, como é o caso do Banpará que está em todos os Municípios onde nenhum outro Banco quer estar.
Pesquisas sobre o setor também indicam que metas agressivas, ritmo intenso, cobranças grosseiras e equipes reduzidas têm relação direta com o adoecimento da categoria, cenário que especialistas classificam como uma crise de saúde mental no trabalho bancário.
É nesse contexto que a nossa AFBEPA percorre o nosso Pará, com dimensões continentais. Além de ouvir relatos e compreender a realidade das agências, a nossa Associação também tem levado esclarecimentos sobre a nossa campanha salarial, que se aproxima.
Mais do que uma agenda institucional, as visitas reafirmam um princípio: nenhuma campanha se constrói de gabinete. Ela nasce onde o trabalho acontece, nas agências, ouvindo e vendo o dia a dia dos empregados (as) do Banpará. O jogo de cintura que é feito para manter os clientes fidelizados, em que pese as dificuldades com a tecnologia e a falta de estrutura de pessoal.
ESTRUTURA DE PESSOAL DEFICIENTE
Em Gurupá, apenas 03 funcionários (sendo 1 adido) e, em Chaves, são 3, sendo que a estrutura é de 7. Falta contratação urgente, Banpará! A sobrecarga está adoecendo quem está.
2026- ANO DE LUTA POR SALÁRIOS
Em 2026, ano de campanha salarial, o recado é claro entre os trabalhadores (as) ouvidos nas margens dos rios do Marajó: será um ano de unidade, coragem, mobilização e luta por respeito e valorização salarial para quem mantém o Banco funcionando todos os dias, mesmo quando o caminho até o trabalho começa com uma travessia sobre as águas.
Confira as fotos:
Ag. Breves
Ag. Gurupá
Ag. Afuá
Ag. Chaves
UNIDOS SOMOS FORTES
A DIREÇÃO DA AFBEPA
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