sexta-feira, 1 de maio de 2026

1º de Maio: a luta que construiu e constrói direitos não pode virar lembrança



Existe uma data que nunca foi só simbólica.

O 1º de maio não nasceu como feriado. Nasceu como marca de confronto, de gente comum que decidiu não aceitar mais o que parecia “normal”. Jornada exaustiva, ausência de direitos, vidas sendo tratadas como peça descartável. Foi na tensão, e não no conforto, que esse dia ganhou sentido.

E é justamente por isso que ele ainda incomoda.

Porque, quando a gente olha pro cenário atual no Brasil, dá pra ver que muita coisa avançou, mas muita coisa também foi sendo esvaziada aos poucos. Direitos que antes eram inegociáveis passaram a ser relativizados. A lógica da flexibilização, vendida como modernização, em muitos casos significou perda concreta: vínculos mais frágeis, menos proteção, mais insegurança.

Não aconteceu de uma vez. Foi acontecendo devagar. Quase imperceptível.

E talvez seja isso que mais preocupa.

Aos poucos, o que era conquista virou “benefício”. O que era direito passou a ser tratado como custo. E, no meio disso, o trabalhador(a) começou a ser empurrado de volta pra uma posição que a história já mostrou onde leva.

Por isso, falar de 1º de maio hoje não pode ser só repetir homenagem.

Precisa ser posicionamento.

 A AFBEPA, como entidade de classe, entende que esse não é um tempo de neutralidade. Porque quando se trata de trabalho, salário e dignidade, não existe espaço seguro no meio. Ou se defende, ou se perde.

E aqui entra um ponto que merece ser encarado com honestidade: o movimento sindical, que já foi protagonista de muitas lutas e de grandes conquistas da categoria bancária, hoje está aquém do que um dia foi. Aquele passado de mobilização forte, de enfrentamento claro, de organização coletiva, que arrancava direitos, está em algum lugar, distante dos dias atuais.

Isso deixa uma pergunta no ar:

o que aconteceu com esse sindicalismo?

O que se vê hoje são estruturas mais preocupadas em administrar e fazer dinheiro do que em tensionar e lutar, mais adaptadas ao jogo do que dispostas a enfrentá-lo. E isso abre espaço para algo perigoso: a acomodação, a retirada de direitos e a falta de transparência.

Se a história do 1º de maio ensina alguma coisa, é que nada é negociado de forma espontânea pelo capital. Todo direito é construído com Pressão, com Organização, Luta e, principalmente, com Consciência Coletiva.

E é exatamente isso que precisa voltar para o centro, para a nossa prioridade.

Porque, no fim das contas, a pergunta continua sendo a mesma, só mudou o tempo:

vamos assistir ou vamos nos posicionar?

A data está aí, lembrando.

Mas o sentido dela depende do que a gente faz a partir daqui.

UNIDOS SOMOS FORTES
A DIREÇÃO DA AFBEPA