terça-feira, 10 de novembro de 2009

FEBRABAN CONFIRMA DENÚNCIA DE INSEGURANÇA NO TRANSPORTE DE VALORES

Os bancos confirmaram denúncias dos bancários e vigilantes sobre a insegurança no transporte de valores e na vigilância dos estabelecimentos. Em documento enviado ao procurador-geral do Ministério Público do Trabalho (MPT), Otávio Brito Lopes, a Febraban reconhece a existência de problemas no abastecimento de caixas eletrônicos, no estacionamento de carros fortes e na vigilância de agências, o que comprova o descumprimento da portaria nº 387, do Departamento de Polícia Federal (DPF), e da lei federal nº 7.102/83.

O texto dos bancos foi disponibilizado nesta segunda-feira, dia 9, para a Contraf-CUT e a Confederação Nacional dos Trabalhadores Vigilantes (CNTV), durante nova reunião entre as partes no MPT, em Brasília.

Abastecimento de caixas eletrônicos

Os bancos informaram que estão em funcionamento 4.681 ATMs instalados em locais expostos (fora do ambiente das agências, de quiosques e de outras instalações). Para esses equipamentos, a Febraban apresentou um calendário de transição para fazer a troca total de carga até março de 2010.

"Esse cronograma estabelece apenas a troca de numerário e não garante a troca de cassetes/gavetas na operação de abastecimento dos caixas eletrônicos. Mais: trata apenas de ATMs em locais expostos, ignorando os demais que também precisam ser contemplados. Além disso, a portaria nº 387, da DPF, proíbe a contagem e o manuseio de numerário no abastecimento de dinheiro", destaca o presidente da CNTV, José Boaventura dos Santos.

"Queremos segurança no abastecimento de todos os caixas eletrônicos, seja em locais expostos, seja em espaços não expostos. Esse procedimento deve ser feito através da substituição de todos os cassetes/gavetas dos ATMs", defende o secretário de imprensa da Contraf-CUT e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária, Ademir Wiederkehr.

Acessibilidade de carros fortes

No documento, a Febraban limita-se a informar que na cidade de São Paulo foram realizados alguns estudos, visando evitar a parada do carro forte no leito carroçável de algumas regiões, avenidas e ruas consideradas críticas. Os bancos também avaliam a demarcação de espaços apropriados para a parada dos carros fortes e a construção de baias ou recuos nas avenidas tidas críticas.

"Essas alternativas não asseguram segurança nas operações de embarque e desembarque de valores. Queremos garagens exclusivas, seguras e apropriadas para a entrada e saída de carros fortes. O transporte de valores não pode transitar nas calçadas, nas salas de autoatendimento, nas áreas internas das agências, no meio das pessoas, sem nenhuma privacidade, com alto risco e insegurança", ressalta o diretor da CNTV, Carlos José das Neves.

Agências com apenas um vigilante

A Febraban reconhece que "há agências que contam com apenas um vigilante". Segundo o documento, "são pequenas agências, a maioria oriundas das antigas agências pioneiras, algumas delas com mais de 28 anos de existência". Eles ainda alegam que "todas as agências têm seus planos de segurança bancária apresentados anualmente ao Departamento de Polícia Federal".

"Além de confirmar a ilegalidade, a Febraban omite que existem centenas de agências pelo Brasil afora com dois vigilantes, mas que ficam com somente um no horário de almoço, o que deixa essas unidades vulneráveis durante um terço do expediente externo", ressalta o diretor da CNTV, Chico Vigilante.

"Nós queremos o cumprimento da lei federal nº 7.102/83, que determina a presença de vigilantes em todas as agências. Para tanto, defendemos a revogação imediata da Mensagem nº 12/09, da DPF, que possibilita a presença de um trabalhador de segurança no horário de almoço, contrariando a legislação existente", salienta o diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Daniel Reis. "Que os bancos contratem mais um vigilante nas agências", propõe.

Nova reunião no dia 10 de dezembro

Como o MPT não havia disponibilizado anteriormente os documentos da Febraban, Contraf-CUT e CNTV para as partes, a Febraban propôs a marcação de uma nova reunião para discutir as propostas das entidades. Ficou agendado novo encontro para o dia 10 de dezembro, às 14 horas, em Brasília.

"Vamos defender as propostas dos trabalhadores para que haja abastecimento seguro dos caixas eletrônicos, operações com menor risco dos carros fortes, proibição de transporte de numerário pelos bancários e nenhuma agência com apenas um vigilante", conclui Ademir.

Fonte: Contraf-CUT e CNTV






BANCÁRIOS NA 6a MARCHA DA CLASSE TRABALHADORA

Bancários também marcham em Brasília nesta quarta contra interdito proibitório

Crédito: Seeb São Paulo
Seeb São Paulo Os bancários estarão na 6ª Marcha Nacional da Classe Trabalhadora, que ocorre nesta quarta-feira 11, em Brasília, com duas bandeiras principais. Uma, específica, reivindica o fim do uso deturpado do interdito proibitório. A outra, ao lado de todas as outras categorias, exige a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais sem a alteração nos salários.

A manifestação contra o uso incorredo do interdito será à tarde, em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O interdito proibitório é um recurso jurídico usado originalmente pelos latifundiários para garantir a posse de propriedades. Os bancos deturparam a função do instrumento e, aproveitando-se de brechas na lei, conseguem fazer uso de força policial nas agências e concentrações durante manifestações, greves e paralisações dos trabalhadores, apesar de esses serem direitos garantidos pela Constituição Federal.

"Quando os bancários vão às ruas, estão na luta legítima em defesa de seus direitos, o que está previsto na Constituição pela chamada lei de greve", diz o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Luiz Cláudio Marcolino. "Manifestar-se por valorização ou melhores condições de trabalho não tem relação com posse de propriedade. Ninguém vai à greve para tomar posse das agências", completa.

40 horas

A 6ª Marcha da Classe Trabalhadora, organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pelas outras cinco maiores centrais sindicais do país, quer também a redução da jornada oficial do país para 40 horas sem alteração no salário. A medida, que possibilitaria a criação de mais de 2 milhões de empregos, aumento da massa salarial e fortalecimento do mercado interno brasileiro está prevista na Proposta de Emenda Constitucional (PEC 231/95), atualmente nas mãos dos parlamentares. O projeto também aumenta para 75% o valor da hora extra.

A diminuição das horas trabalhadas na semana visa ainda tornar menos exaustiva a jornada para melhorar as condições de saúde e segurança no trabalho e diminuir o número de acidentes causados pelo cansaço, além de ampliar o tempo para o convívio familiar, o lazer e a qualificação profissional.

"Os bancários também defendem a redução da jornada, pois ela traz ganhos para o país na forma de empregos e de bem-estar social. É uma luta pela cidadania", acrescenta a secretária-geral do Sindicato, Juvandia Moreira.

Bandeiras de luta

A marcha vai cobrar dos parlamentares, ainda, a aprovação da política de valorização do salário mínimo (PL 01/07), conquistada pela pressão das outras marchas dos trabalhadores, e a votação da PEC 438/01, contra o trabalho escravo.

Também são reivindicadas a ratificação das convenções 151 (pela negociação coletiva no serviço público) e 158 (que põe fim à demissão imotivada) da Organização Internacional do Trabalho, além da retirada dos projetos de lei da terceirização (4.302/98 e 4.330/04), que precarizam as relações de trabalho.

Eixos da 6ª Marcha Marcha da Classe Trabalhadora

- Redução da jornada de trabalho sem redução de salário

- Votação do PL 01/07 que efetiva a valorização do salário mínimo

- Novo marco regulatório para o pré-sal, que prevê a garantia
do controle estatal e social do petróleo e seus derivados
em todo o território nacional e que reafirma nossa soberania

- Ratificação das Convenções 151 (sobre a garantia de negociação coletiva no serviço público) e 158 (que coíbe a demissão imotivada) da OIT

- Aprovação do PL 1621/07: proposta da CUT encaminhada à Câmara pelo deputado Vicentinho (PT-SP), sobre a regulamentação da terceirização
e combate à precarização nas relações de trabalho

- Mudanças amplas e imediatas para todas as aposentadorias,
incluindo aumento real para os benefícios acima do salário mínimo e regras que garantam inclusão e assegurem que mais e mais brasileiros
se aposentem por tempo de contribuição, com 100% dos benefícios

Fonte: Contraf/CUT




INCORPORAÇÃO: BB ANUNCIA PDV PARA FUNCIONÁRIOS DA NOSSA CAIXA

O Banco do Brasil anunciou na última quinta 5 um plano de demissão voluntária (PDV) dirigido aos bancários da Nossa Caixa. Em reunião com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, o BB também apresentou um plano para as agências e a criação de novas vagas para os funcionários do antigo banco paulista.

A diretora do Sindicato Raquel Kacelnikas ressalta que os bancários têm uma série de experiências traumatizantes de PDVs passados, que ceifaram milhares de empregos, precarizaram as condições de trabalho, achataram os salários e enfraqueceram a organização da categoria.

A dirigente ressalta que, embora os sindicatos sejam contra o PDV, a decisão de aderir ou não é pessoal e intransferível e cada um deve avaliar sua situação em conjunto com a família.

Incorporação

Durante a negociação, o BB também apresentou um plano para as agências e a criação de novas vagas para os funcionários da Nossa Caixa, que terão prioridade nos processos internos de concorrência. O banco também se comprometeu a manter os profissionais da rede de atendimento.

"As negociações continuam, precisamos identificar qual o modelo das estruturas para garantirmos o máximo de vagas para os empregados da TI, do marketing, do crédito imobiliário e do crédito rural", explica Raquel.


Por Fábio Jammal Makhoul - Seeb São Pauo
Fonte: Contraf/CUT





BANCOS PÚBLICOS AMPLIAM FATIA DE 28,4% PARA 33,9% NO CRÉDITO

Os bancos públicos ganharam espaço no mercado de crédito neste ano em relação ao ano passado. Segundo levantamento da Austin Rating, em junho de 2008 os bancos públicos tinham uma participação no mercado de 28,4%, contra 71,6% dos privados. No mesmo mês deste ano, os públicos passaram a deter 33,9% da oferta de crédito, e os privados perderam espaço, ficando com 66,1%.

"Os bancos públicos desempenharam um papel muito importante de irrigar o mercado com crédito no período da crise", avalia Erivelto Rodrigues, presidente da Austin.

Já os bancos privados "pisaram no freio". Em junho do ano passado, eles foram responsáveis por emprestar R$ 721,376 bilhões, ante R$ 286,134 bilhões dos bancos públicos. Já neste ano, a cifra dos bancos privados ficou em R$ 783,462 bilhões, ao passo que o volume emprestado pelos bancos públicos pulou para R$ 401,986 bilhões.

Para Rodrigues, os bancos públicos estão oferecendo crédito "como há muito tempo não se via", e esse aumento na oferta impulsionou seus bons resultados trimestrais. Exemplo disso foi a Caixa Econômica Federal, que, na semana passada, anunciou um aumento de 20% no lucro no terceiro trimestre e retomou a quarta colocação entre os maiores bancos do País.

Fonte: Contraf/CUT





SEM COMPROVAR CARGO DE CONFIANÇA, TST CONDENA BANCO A PAGAR HORAS EXTRAS

Não basta ao banco apenas alegar que o empregado exerce cargo de confiança para excluir a obrigação de pagamento de horas extras. É imprescindível que essa condição seja devidamente comprovada. Com esse fundamento, a Seção I Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho (SDI-1) rejeitou embargos do Banco Crédito Nacional S.A em ação trabalhista na qual fora condenado a pagar horas extras.

O juiz de primeiro grau não reconheceu ao bancário horas extras a partir do momento em que o bancário passou a exercer cargo de gerente de contas G. Ao analisar recurso do trabalhador contra essa decisão, o Tribunal Regional da 9ª Região (ES) reformou a sentença e ampliou a condenação de horas extras para além da sexta diária.

Com base em depoimentos de testemunhas, o Regional entendeu que, embora fosse nomeado gerente, o funcionário não possuía atribuições especiais de confiança, elemento necessário para se configurar jornada além das seis horas contínuas dos bancários.

O Banco Crédito Nacional S.A recorreu ao TST. Após o posicionamento da Quarta Turma em negar provimento ao recurso de revista, por entender correta a decisão do TRT, houve novo apelo, mediante embargos de declaração.

Segundo o relator, ministro Lelio Bentes Corrêa, as atividades descritas no acórdão do Tribunal Regional não se revelaram suficientes para caracterizar o exercício do cargo de confiança. Por esse motivo, rejeitou as alegações do banco sobre violação ao artigo 224 da CLT, que regulamenta a jornada de seis horas para os empregados que exerçam cargos de direção, gerência ou de confiança.

Com efeito, destacou Lelio Bentes, pouco importa a denominação que se dê ao cargo, pois devem prevalecer as condições do efetivo exercício da atividade profissional. Assim, conclui, é indispensável demonstrar "a existência dos requisitos fáticos necessários à caracterização da fidúcia especial (tais como autonomia e responsabilidade inerentes ao cargo, ou a investidura em algum poder significativo de mando e gestão), o que não ficou evidenciado".

Fonte: Contraf/CUT




QUASE UM NOVO MASSACRE EM ELDORADO

A nota da CPT, abaixo, é preocupante. Um fato social relevante para todos nós paraenses e brasileiros, marcados, internacionalmente, pelo massacre de Eldorado dos Carajás. Leiam e avaliem a situação. Todos e todas nós, cidadãos e cidadãs devemos estar atentos, porque a vida é o maior patrimônio nosso, é sagrada, é divina. Leiam e avaliem.

Os paraenses e brasileiros aguardam mais esta explicação da governadora Ana Júlia.

Truculência e despreparo da polícia do Pará quase causa novo massacre em Eldorado dos Carajás

Por pouco não termina em tragédia uma ação das Polícias Militar e Civil do Estado do Pará, na curva do “S”, mesmo local onde ocorreu o massacre de Eldorado em 17 de abril de 1996. O fato lamentável ocorreu na tarde da última sexta-feira, no momento em que mais de mil trabalhadores ligados ao MST faziam uma manifestação pacífica no local. No início da manhã os trabalhadores interditaram a Rodovia PA 150 como forma de pressão para exigir a abertura de negociação por parte do governo do Estado. Por volta das 11 horas da manhã, sem que a polícia estivesse no local, os trabalhadores decidiram por si mesmos desinterditar a estrada. A situação permaneceu totalmente tranqüila, com o tráfego de veículos restabelecido até por volta das 14 horas, quando chegaram ao local o Delegado Geral de Polícia Civil, Raimundo Benassuly, e o coronel Leitão da Polícia Militar acompanhados de aproximadamente 70 policiais do batalhão de choque. Demonstrando total despreparo e usando de truculência desmedida, sem dar chance para qualquer tipo de diálogo, o coronel e o delegado partiram para cima dos trabalhadores que se aglomeraram nas imediações da pista, gritando de forma descontrolada que estavam ali para prender quem estivesse à frente. O Delegado Geral, Raimundo Benassuly, sacou uma pistola e ameaçou atirar nos trabalhadores que se aproximavam. Vendo a ação do delegado, outros policiais fizeram o mesmo, e, em seguida prenderam três trabalhadores sem qualquer motivo. O delegado Benassuly é o mesmo que no início do governo de Ana Júlia, quando uma adolescente foi colocada na cela com mais de 15 presos por mais de 20 dias, tentou justificar a ação criminosa afirmando que a adolescente deveria ter algum problema mental. Foi afastado em razão desta declaração, mas, foi reconduzido ao cargo por ordem da Governadora.
O advogado da CPT de Marabá, José Batista Gonçalves Afonso e os Defensores Públicos Rossivagner e Arclébio, que se encontravam no local desde o período da manhã, ainda tentaram acalmar a fúria do Delegado e do Coronel, no entanto, foram empurrados e ameaçados de prisão. As centenas de trabalhadores que, em sua maioria, portavam pedaços de paus e facões, só recuaram mediante aos insistentes pedidos do Advogado da CPT. Enquanto os trabalhadores eram acalmados pelo advogado da CPT e pelos Defensores Públicos, o Coronel e o Delegado continuavam provocando o conflito afirmando que não temiam o confronto e nem se importavam com o fato político que pudesse gerar ali. Que vieram para desobstruir a estrada de qualquer jeito, sendo que, a estrada já estava liberada muito antes de eles chegarem. Ameaçaram ainda quebrar as barracas armadas pelas famílias para se abrigarem do sol. Só não o fizeram porque os trabalhadores decidiram desmontá-los antes. Apavoradas, mulheres e crianças correram para dentro do mato, várias pessoas passaram mal, inclusive, algumas que foram feridas no massacre em 1996.

O advogado da CPT foi categórico em afirmar que, caso ele e os defensores públicos não estivessem no local, uma tragédia poderia ter acontecido, pois os dois policiais chegaram com intenção de provocar o confronto com os sem terra e estavam totalmente descontrolados, sem quaisquer condições de dialogar sequer com o advogado e os defensores. Todos os policiais do batalhão de choque estavam com as tarjas de identificações cobertas. A CPT vai acionar judicialmente o Delegado e o Coronel pelo crime de abuso de autoridade.
A ação desmedida do Coronel, do Delegado e também da Governadora contra o MST se deu devido à destruição, no meio da semana, de casas da fazenda Maria Bonita de propriedade do banqueiro Daniel Dantas. O governo do Estado e os fazendeiros acusam o MST por este fato e há, inclusive, um pedido de prisão preventiva contra Charles Trocate, líder do MST, que nem se encontrava no Estado do Pará quando o fato aconteceu.
O grupo de Dantas já comprou mais de 50 fazendas na região, a maioria das propriedades adquiridas na região de Marabá, incide sobre área dos castanhais, cuja legislação estadual (Lei nº 913/54; Decreto Lei nº 57/69; Decreto Lei nº 7.454/71) impõe aos detentores desses imóveis, dentre outras obrigações, a de manter preservadas as áreas de castanhais, priorizando seu extrativismo, bem como ter autorização do Estado para vender o imóvel a terceiros. O Estado do Pará não foi consultado sobre as vendas para o grupo de Daniel Dantas e, em todos os imóveis, os castanhais foram destruídos e substituídos por capim. Além dessas infrações, em quase todas as fazendas há incorporação ilegal de terra pública aos imóveis. Este fato já foi comprovado na Fazenda Cedro, localizada em Marabá.

A partir de denúncia feita pela CPT de Marabá à Ouvidoria Agrária Nacional, foi requerida uma fiscalização do IBAMA nos imóveis do grupo ocupados pelos trabalhadores sem terra. Em 15.04.09, na fazenda Espírito Santo, fiscais do órgão ambiental registraram que não há cobertura vegetal nos 10.599 hectares que compõe a fazenda. O grupo de Daniel Dantas foi multado em 50 milhões de reais e foi dado um prazo de 120 dias para a retirada do gado. Na Fazenda Maria Bonita, os fiscais identificaram que não existia Licença Ambiental Rural para exercer atividade de agropecuária. O grupo Dantas foi multado em 7 milhões de reais e embargada qualquer atividade na propriedade. Por ter sido detectado a ausência total de cobertura vegetal em 6.316 hectares, o grupo foi multado em R$ 31 milhões de reais. Foi dado também um prazo de 120 dias para a retirada do gado da propriedade. Mesmo com esse rol de crimes em suas propriedades, a governadora e o poder judiciário insistem em manter as terras nas mãos do banqueiro, preso pela Polícia Federal, por duas vezes, por desviar recursos públicos.

De janeiro a outubro do ano corrente, segurança e pistoleiros das fazendas do banqueiro já assassinaram um trabalhador sem terra e balearam gravemente outros 17 sem terra no interior das propriedades. Todos os crimes continuam impunes. Nos dois anos e 10 meses de governo de Ana Júlia, apenas no sul e sudeste do Estado, foram 66 fazendas ocupadas por 10.599 famílias; 101 trabalhadores e lideranças foram ameaçados de morte; 23 trabalhadores foram feridos a bala por pistoleiros e seguranças de fazendas; 17 trabalhadores foram assassinados na luta pela terra e 128 foram presos. Os conflitos agrários no Estado do Pará são problemas sociais da maior gravidade que a governadora, a exemplo de seus antecessores, insiste em resolver com casos de polícia. Enquanto isso, pistoleiros e mandantes dos crimes gozam de total impunidade.

Marabá – PA, 09 de novembro de 2009.

Comissão Pastoral da Terra - CPT do sul e sudeste do Pará


Fonte: CPT






segunda-feira, 9 de novembro de 2009

NEGOCIAÇÃO NACIONAL BANCÁRIA E DESENVOLVIMENTO REGIONAL

Por Vagner Freitas*

No Brasil, as diferenças regionais não se limitam às "boas" diferenças de culturas, ritmos, sotaques e modos de vida. São também diferenças econômicas, de acesso a bens culturais, educação e saúde, gestadas em séculos de história. Essas diferenças econômicas regionais são perversas para os trabalhadores, pois imprimem padrões de vida, salário, e condições de trabalho desiguais nas diversas regiões.

A região da mata pernambucana, por exemplo, possui a menor remuneração média do país, considerando apenas o mercado formal, segundo dados de agosto de 2009 (MTE). Isso significa que os trabalhadores dessa região recebem 6 vezes menos do que os trabalhadores do Distrito Federal ou ainda 3,5 vezes menos do que os trabalhadores da região metropolitana de São Paulo.

A justificativa para essa desigualdade seria as diferenças de custo de vida nas diversas regiões do país. No entanto, em uma pesquisa realizada pelo DIEESE em 54 cidades (2007), constatou-se que as diferenças de preço de uma cesta de serviços e produtos variavam em torno de 10% enquanto as remunerações apresentavam diferenças abissais, tais como as observadas acima. Sendo assim, um trabalhador de uma região como a da mata pernambucana não pode atender as necessidades de alimentação, equipamentos domésticos, vestuário, transporte, moradia, educação para si e para sua família.

Política de desenvolvimento regional

As políticas do atual governo têm a preocupação de garantir o recorte regional, procurando reduzir essas imensas desigualdades. Exemplos disso são as políticas sociais como o Programa Bolsa Família e os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e do PDP (Programa de Desenvolvimento da Produção).

Mas existem outras formas de eliminar essas diferenças, em especial, no mercado de trabalho brasileiro.

A CUT, em sua história, sempre defendeu o Contrato Coletivo Nacional de Trabalho como forma de eliminar as diferenças regionais no mercado de trabalho estabelecendo condições mínimas em todo o território nacional. Uma das poucas categorias que conseguiram negociar nacionalmente é a bancária, a despeito da lei que procura pulverizar as negociações coletivas, estabeleceu um processo nacional de mobilização e negociação homogeneizando direitos para os mais de 400 mil bancários brasileiros.

Para termos uma idéia da importância dessa negociação, com o reajuste salarial de 6% conquistado esse ano será injetado na economia cerca de R$ 90 milhões de reais a mais mensalmente. A massa salarial dessa categoria, já incluindo esse reajuste, poderá chegar a R$1,6 bilhões a cada mês.

Como se trata de uma negociação nacional, com piso salarial, reajuste e benefícios como ticket alimentação e refeição, iguais para todo o território, mesmo nas regiões tradicionalmente mais pobres e com remunerações médias muito baixas, garantimos que os trabalhadores bancários tenham as mesmas condições de norte a sul do país, procurando reverter séculos de exclusão e desigualdades regionais.

Mas o positivo da negociação nacional não é apenas a eliminação de desigualdades entre os trabalhadores bancários, mas também o efeito desses salários injetados na economia local. Para se ter uma idéia, segundo estimativa do BNDES de geração de emprego em cada setor da economia, as instituições financeiras, apesar de estar em 21º no ranking de geração de empregos diretos, está no 5º lugar na geração de empregos através do efeito renda: para cada trabalhador bancário são gerados até 310 empregos com o efeito renda, com a transformação dessa renda em consumo.

Imaginem o que isso significa em regiões mais pobres do país já que a rede de agencias bancárias e, portanto, de trabalhadores bancários, estão distribuídos por todo o território nacional?

Por exemplo, no estado de Pernambuco, os trabalhadores bancários possuem uma média de remuneração quase 3 vezes maior que a média estadual. O reajuste desse ano representa cerca de R$ 2,1 milhões a mais mensalmente distribuídos em todas as regiões do estado desde a capital até a mata pernambucana, totalizando R$ 36,7 milhões todo mês.

Ou seja, a negociação nacional, que estabelece parâmetros iguais para todos os bancários, contribui não só com a eliminação das desigualdades entre os trabalhadores do setor, mas injeta recursos que movimentam as economias locais.

Portanto, a defesa da negociação nacional, como instrumento estratégico da nossa concepção de desenvolvimento econômico e social, mais uma vez se confirma.

*Vagner Freitas é bancário e secretário de Finanças da CUT nacional.

Fonte: Contraf/CUT



GRANDE PERGUNTA

Boa Pergunta!

“Por toda parte: centralização, verticalização. Pré-sal, Petrobras, o sistema financeiro estatal brasileiro, a Vale, grandes empreiteiras da construção civil, complexo industrial-militar, cooptação da intelligentsia, dos sindicatos e movimentos sociais. Não é um bom presságio para a democracia brasileira se apresentar sob a retórica de significar uma comunidade fraterna quando se encontra envolvida em uma política de vocação grã-burguesa. Como também não é o fato da sociedade, em sua diversidade, se deixar subsumir ao Estado, conferindo à liderança de um chefe de governo carismático a tarefa de cimentar a unidade dos seus contrários. Estamos conscientes dos riscos aí envolvidos? A pergunta deve incluir como destinatários os principais atores políticos que estão a dirigir esse processo.”
Luiz Werneck Vianna, no 33º Encontro Anual da ANPOCS, Caxambu/MG de 26 a 30/10/2009.

Por Marise Morbach
No Quinta Emenda





CERCA DE 90% DA MADEIRA EXTRAÍDA NO PARÁ TEM ORIGEM ILEGAL

UM ZOOM NA DEVASTAÇÃO

Quase de 90% de toda madeira extraída no Pará tem origem ilegal. A conclusão é de um recente estudo, baseado em fotos de satélite, produzido por pesquisadores do Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia).
A estimativa oficial era de que 10% da produção madeireira seria ilegal. Uma falha gigantesca, que põe a nu a completa falta de controle do Estado diante dessa atividade econômica predatória.

BANPARÁ É BRONZE!

Sead divulga os vencedores do Prêmio Estadual da Qualidade 2009

A Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Estado do Pará, o Hemopa, pelo segundo consecutivo, foi a organização que obteve a maior pontuação no Prêmio Estadual da Qualidade e levou a Medalha de Prata. A instituição conseguiu avançar na pontuação em relação ao ciclo passado.

Outras nove organizações foram reconhecidas com Medalha de Bronze. São elas: Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Viana – FHCGV; Junta Comercial do Estado do Pará – JUCEPA; Secretaria de Estado da Fazenda – SEFA; Empresa de Processamento de Dados do Estado do Pará – PRODEPA; Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará – FSCMP; Banco do Estado do Pará - BANPARÁ

Outras três ganharam menção honrosa: Central de Abastecimento do Pará (CEASA) e Companhia de Habitação do Estado do Pará – COHAB e Hospital Ofir Loyola – HOL.

As organizações enfrentaram mais de 4 meses de avaliações, que vão desde a análise de um Relatório de Gestão, visitas técnicas realizadas por profissionais especialmente treinados, para verificarem as práticas de gestão.

O processo movimentou 50 voluntários do PEQ. As vencedoras foram avaliadas em 7 critérios: Liderança, Estratégias e Planos, Cidadãos e Sociedade, Informação e Conhecimento, Pessoas, Processos e Resultados.

Os juízes do Prêmio Estadual da Qualidade 2009 foram: Eraldo Alves Arraes ( Gerente na área de Produção da Empresa de Correios e Telégrafos – ECT), João Batista Pinto Lourenço (Técnico em Pesquisa e Desenvolvimento em Gestão da Qualidade do INMETRO - RJ ) e Edvaldo Menezes de Sales ( Coordenador da Qualidade da ALBRÁS – Alumínio Brasileiro S/A).

30 examinadores seniores de organizações do Estado e do Governo Federal foram quem elaboraram os relatórios avaliados pelos juízes. O trabalho voluntário será reconhecido pela Secretaria Estadual de Administração, que irá criar uma portaria de agradecimento a cada um deles.
O Prêmio Estadual da Qualidade, realizado pelo Governo do Estado, através da Sead, é uma vertente do Programa de Qualidade na Gestão Pública do Estado do Pará, que tem como coordenador, Flavio Augusto Ferreira da Silva. A equipe do PEQ é formada por uma equipe de 09 técnicos que trabalham na organização e consolidação do prêmio durante todo ano.
Além das medalhas de prata e bronze, as organizações premiadas vão receber no dia 30 de janeiro de 2010, um relatório de orientações, com oportunidades de melhoria e os pontos fortes da organização.
A cerimônia de premiação será no próximo dia 10 de dezembro, no Teatro Maria Sylvia Nunes, com a presença da governadora do Estado, Ana Julia Carepa.

Fonte: SEAD


PARABÉNS AOS BANCÁRIOS E BANCÁRIAS DO BANPARÁ!
Parabéns a todos e todas que contribuíram e contribuem, com dedicação incansável, para o reconhecimento do trabalho do Banpará na sociedade paraense. Administração do banco, funcionários da matriz e das agências, na capital e no interior, todos os colegas estão honrados e felizes com esta premiação, que destaca e ressalta a enorme capacidade do funcionalismo do banco, merecedor de cada vez mais valorização.

Segundo a agenda do banco, os próximos passos são:

Dia 12/11 - Dia internacional da Qualidade;
Dezembro - recebimento do relatório PEQ/2009, da Sead;
Janeiro de 2010 - Prêmio interno de Qualidade; Plano de Melhoria de Gestão.