Nos últimos dias, o Banpará patrocinou carnavais em municípios paraenses como Capanema, Cametá, Peixe-Boi e Curuçá. Em algumas dessas cidades, assumiu o posto de patrocinador oficial. A marca esteve nos palcos, nos abadás, nas peças publicitárias. Houve visibilidade. Houve investimento e houve trabalho.
Enquanto isso, nos bastidores, gerentes foram mobilizados para acompanhar a exposição da marca e garantir o cumprimento das contrapartidas. Jornadas estendidas, deslocamentos entre municípios, pressão por resultados. E, como resposta do Banco, o corte do auxílio gasolina.
A conta é objetiva. Exige-se presença institucional e rigor na fiscalização e monitoramento. Retira-se, porém, o suporte mínimo para que o trabalho aconteça. Em um cenário de combustíveis em alta e longas distâncias no interior, cortar o auxílio não é ajuste técnico: é transferir custo ao empregado(a).
Há um dado ainda mais grave. Em ao menos um dos municípios onde o Banco figura como patrocinador oficial do carnaval, a Prefeitura retirou a folha de pagamento do Banpará e a transferiu para o Bradesco. O paradoxo é evidente: investe-se para estampar a marca enquanto se perde uma das operações mais estratégicas de qualquer instituição financeira, a folha de pagamento.
Folha é captação, é relacionamento, é crédito, é mais clientes, é presença concreta.
Sem parceria comercial articulada, patrocínio vira despesa de imagem. Banco público não pode atuar movido por algo momentâneo. Precisa de coerência institucional e responsabilidade financeira.
E há um ponto que precisa ser melhor avaliado.
O Governo do Estado é o acionista majoritário do Banpará. Mas ser acionista não significa submeter a instituição a todas as vontades do governante de plantão. Banco público não é extensão de agenda política. É instrumento de desenvolvimento do Estado, de acesso e de inclusão a quem muito precisa. Assim, é fundamental ter responsabilidade técnica, autonomia administrativa e compromisso com sua sustentabilidade.
Que isso fique claro também para a campanha salarial.
Não aceitaremos discurso de contenção quando há recursos para patrocínios vultosos. Não faremos pedidos rebaixados. Não nos curvaremos. Se há dinheiro para o carnaval, há dinheiro para garantir reajuste digno, valorização real e manutenção de condições de trabalho.
O funcionalismo sustenta a capilaridade do Banco, atende no interior, cumpre metas, carrega resultado nas costas. Não é razoável exigir excelência e oferecer redução.
Esta quarta-feira de cinzas é, sim, tempo de reflexão. Mas também é tempo de posicionamento. Banco forte se constrói com estratégia, coerência e respeito a quem o mantém de pé todos os dias.
UNIDOS SOMOS FORTES
A DIREÇÃO DA AFBEPA
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