quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

BB QUER EXPULSAR POBRES DAS AGÊNCIAS E TORNÁ-LAS EXCLUSIVAS DA ALTA RENDA

Com o título acima, oportuna e interessante matéria postada no site da Contraf/CUT criticando decisão recente da direção do Banco do Brasil que vai criar agências complementares para elitizar ainda mais as agências tradicionais. Para nós, do Banpará, o caminho tem que ser o inverso: atrair a população de baixa renda e oferecer-lhe crédito acessível, geração de renda e dignidade.

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Do site da Contraf-CUT


A Contraf-CUT considera um absurdo o anúncio do Banco do Brasil de que pretende estar presente em todos os municípios brasileiros por intermédio das "agências complementares", com o objetivo de "ficar mais próximo da população de menor renda", conforme declaração à imprensa do presidente Aldemir Bendine.

Segundo reportagem publicada nesta segunda-feira 7 pelo jornal O Estado de São Paulo, o dirigente do BB anunciou que o banco pretende, ainda em 2011, abrir 250 agências tradicionais, 250 "agências complementares" e 100 postos de atendimento.


Bendine disse ao Estadão que esse é "um novo conceito de atendimento bancário"; que as "agências complementares" atuarão em conjunto com os correspondentes bancários; que essa foi a solução encontrada para levar o banco onde não há escala suficiente para abertura de uma agência, "que tem custo de instalação bastante elevado"; e que dessa forma o BB está contribuindo para aumentar a bancarização da população de baixa renda.


Para a Contraf-CUT, o que o presidente do BB está afirmando não condiz com a realidade dos fatos. "O que o banco está fazendo, na verdade, é criar uma rede de correspondentes bancários ilegais, com o objetivo de expulsar os pobres de dentro das agências, de forma a torná-las exclusivas dos clientes de alta renda, que é o foco do BB 2.0", critica Marcel Barros, secretário-geral da Contraf-CUT.


"Se o objetivo do BB fosse realmente o de bancarizar a população pobre, ele abriria postos de atendimento nas periferias das grandes cidades ou nos 1.645 municípios brasileiros que não possuem nenhuma agência bancária", acrescenta Marcel. "Em vez disso, está instalando correspondentes perto, às vezes em frente ou do lado, de agências do BB, de forma a afastar os clientes de baixa renda. Em vez de incluir, com isso o banco está excluindo a população pobre."



Fonte: Contraf-CUT


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IRMÃ DOROTHY, ANAPU E BELO MONTE. ENTREVISTA COM FELÍCIO PONTES JÚNIOR

Com esse título, postado no blog do Deputado Edmilson Rodrigues, pinçamos uma interessante entrevista referente a um dos temas mais polêmicos da atualidade em nosso estado. A AFBEPA já se posicionou: a construção da Usina de Belo Monte é um crime contra a Vida.

Para nós, bancários e bancárias do Banpará, é importante compreender que a realidade da (in)segurança bancária, que nos vitima nos assaltos a bancos, é a mesma realidade que vitima trabalhadores rurais, índios e comunidades ribeirinhas, no assassinato de suas lideranças ou na construção desses grandes projetos que destroem vidas. Os fios dessa tragédia se unem nos interesses das multinacionais, do agronegócio e do tráfico, quase sempre aliados, quando se trata garantir mais e mais lucros. Para nós, trabalhadores, resta a violência, a tragédia anunciada, resta pagar o preço do que eles chamam de "progresso" e "desenvolvimento". Mas há quem esteja desperto, olhando e vendo, ouvindo e escutando, falando e dizendo. Leiam a entrevista do Procurador do Ministério Público Federal, Felício Pontes Jr.

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Do Blog do Dep. Edmilson Rodrigues

"Há mais de seis anos, antes de ser assassinada por fazendeiros em Anapu, no Pará, a Ir. Dorothy Stang já temia pelas consequências que a Hidrelétrica de Belo Monte provocaria naquela região caso fosse aprovada. “Ela temia pelo impacto socioambiental e pelo dinheiro público que seria jogado fora em uma hidrelétrica que vai ficar parada em torno de quatro meses por ano sem gerar um quilowatt de energia”, contou o procurador do Ministério Público Federal Felício Pontes Júnior, em entrevista, por telefone, à IHU On-Line.

“O Ibama será o grande responsável por uma degradação sem precedentes na nossa história.” Pontes Júnior.

IHU On-Line – Seis anos após a morte de Dorothy Stang, como o senhor analisa a situação de Anapu hoje?

Felício Pontes Júnior – A população está organizada. Seis anos foram o suficiente para que se criasse uma organização muito forte. Há uma consciência de que o único desenvolvimento possível para a Amazônia, com relação à reforma agrária, é o que consegue conciliar o aumento econômico daquela população com a preservação do meio ambiente. É exatamente isso que o projeto da Ir. Dorothy previa. No último ano, o Pará se tornou o maior produtor de cacau do Brasil, exatamente por conta da contribuição das plantações de dentro do Projeto de Desenvolvimento Sustentável – PDS Esperança da Ir. Dorothy. Para que haja plantação de cacau, você precisa ter a floresta em pé, o cacau precisa de sombra. Isso auxiliou muito no projeto que a Dorothy sonhava. Ela mesma levava as sementes de cacau para a floresta a fim de que os colonos pudessem plantar.

Ainda há uma pressão muito grande dos madeireiros em cima daquela área. Até a morte da Irmã, os madeireiros tentavam atacar aquela área da floresta com papéis, títulos falsos. Depois, a estratégia mudou. Agora eles tentam infiltrar no assentamento trabalhadores de madeireiras como se fossem assentados, colonos da reforma agrária. Essas pessoas estavam tirando madeira dali, o último conflito ocorreu inclusive por causa disso. Aconteceu uma grande revolta, bloqueando estradas de acesso ao projeto PDS Esperança, parando até a Transamazônica.
"


Leia mais clicando aqui.





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BANCO DO CARBONO II E BANCO SOCIAL


Em tempo: dificuldades operacionais nos impediram de atualizar o blog nos últimos dias, mas como este é um tema que está na mídia, nunca é tarde para comentar. A nota que vocês lêem acima, está na coluna "Repórter 70" do jornal O Liberal do último domingo, 06. Novamente o Banpará é pautado, desta vez, com destaque para as propostas dos funcionários.

Queremos ressaltar que para os bancários e bancárias, há muito espaço para a atuação de um banco público estadual que cumpra sua missão social. E a grande missão do Banpará, em um estado carente como o nosso, está, sim, na ampliação da oferta de microcrédito, e isso significa desburocratizar o acesso e diminuir as taxas de juros do Banpará Comunidade, além de criar novos produtos que realmente levem inclusão social com geração de renda para uma ampla parcela da população paraense em espaços onde nenhum grande banco comercial tem interesse em atuar.

Isso não significa negar a possibilidade de que o Banpará venha a ter uma carteira para atuar no mercado de carbono. Muito menos significa que o Banpará não precise ter uma sólida carteira comercial. Precisa. Tudo cabe, pode e deve; mas quando se trata do perfil fundamental do banco, olhando para a dura realidade do estado do Pará, não se poderia ter dúvida de que as políticas governamentais deveriam priorizar a inclusão social, tendo o banco público estadual como um dos pilares do que deveria ser a principal meta de governo: diminuir a pobreza e erradicar a miséria em nosso estado.


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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

(IN)SEGURANÇA BANCÁRIA - ASSALTO EM BREJO GRANDE DO ARAGUAIA

Acabamos de confirmar a ocorrência, no final desta manhã, de um violento assalto no PAB Brejo Grande do Araguaia, vinculado à Ag. Marabá. O assalto se consumou a peso de bala, literalmente, na modalidade "tora". A coordenadora do PAB tinha saído para o almoço e não estava no local de trabalho no momento em que os assaltantes arrombaram violentamente o posto. Segundo informações, o prédio ficou completamente destruído. Os funcionários e funcionárias de toda a região estão bastante abalados.

Ontém mesmo o corpo gerencial da agência se deslocou para Brejo Grande do Araguaia para constatar a destruição dos equipamentos e do prédio onde funcionava o PAB.

Hoje está em Marabá a Gerência de Segurança do banco - GESET para averiguar a situação e tomar as medidas de proteção da saúde e segurança dos funcionários que estão direta ou indiretamente abalados, como também em relação ao patrimônio do banco.

Sabemos que a direção decidiu corretamente por manter o PAB fechado.

Lamentavelmente, estamos diante de mais uma tragédia anunciada; mais uma na infeliz lista da (in)segurança bancária que vitima os bancários e seus familiares.



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QUE DEUS TE AMPARE SEMPRE, ODEIZE!


Hoje, os colegas do Banpará amanheceram com uma saudade a mais no coração. Faleceu a nossa querida Odeize Pimentel.


Odeize trabalhava na área do Cadastro, na Conta Única. Era nossa associada; uma colega valorosa, que participou ativamente das lutas pelos direitos e conquistas dos funcionários do Banpará. Odeíze foi Delegada Sindical e fez parte do Movimento de Oposição Bancária - MOB. Sempre foi uma pessoa de grande sensibilidade e capacidade de lutar pela vida.


Deixa marido, filhos e netos; deixa a todos nós, colegas bancários e bancárias do Banpará, com os corações plenos de saudades e crença de que Odeize estará sempre amparada na Luz e na Fé.


Que Deus te proteja sempre, nossa querida Odeíze!
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sábado, 5 de fevereiro de 2011

AFBEPA SOLICITA E BANPARÁ ANTECIPA TÍQUETE ALIMENTAÇÃO

O documento acima postado é o ofício 007/2011 encaminhado pela AFBEPA à Diretoria Administrativa do Banpará em 24 de janeiro de 2011, solicitando a antecipação do tíquete alimentação previsto no ACT 2010/2011.

Em nome do funcionalismo do banco, agradecemos ao positivo gesto da diretoria que concedeu a antecipação solicitada pela AFBEPA, demonstrando, assim, sensibilidade e disposição em compreender e auxiliar na amenização das dificuldades financeiras vivenciadas pelos bancários e bancárias do Banpará.

PRECISAMOS DE AUMENTO NOS SALÁRIOS

De fato, os quinze anos de congelamento nos salários, a política de reajuste zero dos anos 90 e a ausência de um plano de evolução funcional no Banpará, acarretaram uma real defasagem salarial em nossas vidas. Hoje, conseguimos sobreviver porque temos tíquetes, PLR, plano de saúde; mas, e quando nos aposentarmos, sem esses banefícios, apenas os salários pagarão ao menos nossos remédios? Como poderemos sobreviver sem um salário que possa pagar as despesas essenciais para a manutenção de nossas vidas? Como ficará nossa situação? Esta grave questão trataremos de, forma precisa, na defesa do interstício de dois anos para promoção por merecimento e antiguidade. Vale ressaltar que, no Banpará, uma grande parte dos funcionários só teve sua primeira promoção após vinte anos de banco. Precisamos de aumento nos SALÁRIOS, por isso, uma de nossas prioridades é a luta pela promoção por merecimento em 2011.

SOLICITAMOS TAMBÉM A ANTECIPAÇÃO DA 2ª PARCELA DA PLR

Queremos, também, registrar aqui o pedido para que o banco antecipe a 2ª parcela da PLR, assim como fará o banco Santander que pagará, aos seus funcionários, a 2ª parcela da PLR, PPRS e renda variável no dia 18 de fevereiro de 2011. Há várias despesas de início de ano que pesam mais em nossos bolsos: matrículas dos nossos filhos nas escolas, listas de livros e material escolar, IPTU, enfim, início de ano é sempre mais dispendioso. Toda ajuda evita mais endividamento do funcionalismo.
A AFBEPA agredece, mais uma vez, e espera que também seja antecipado o pagamento da 2ª parcela da PLR.



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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

RE X PA DE BANPARÁ




Dupla Re-Pa fecha patrocínio com Banpará

As diretorias de Clube do Remo e Paysandu conseguiram o que queriam. Com o corte do valor do contrato com a Funtelpa, as novas formas de suavizar as perdas estão dando certo. O Governo do Estado já deu o parecer favorável do novo contrato com o Banco do Estado do Pará (Banpará), sugerido pelos dirigentes ao Estado. “Já nos deram o sinal verde. A qualquer hora vamos ser chamados para assinar o novo contrato com o Banpará”, revelou Sérgio Brás, presidente do Clube do Remo.

O Secretário de Comunicação do Estado, Ney Messias, confirmou que as negociações foram aceitas ainda semana passada pelo governador Simão Jatene. “Hoje (ontem) encaminhei todo o parecer para o presidente do Banpará. Agora ele vai fazer o contrato e chamar os clubes para assinar”, divulgou.

Entretanto, algumas modificações foram feitas no contrato. Ele terá validade de um ano e, devido ao saldo negativo nos cofres públicos, o valor do patrocínio passa de 60 mil para 50 mil reais por mês para cada um dos titãs. Em troca, o símbolo do banco será colocado nas camisas dos times.

Fonte: Diário do Pará


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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

NOVO CONVÊNIO AFBEPA E POWER FIT

Mais um convênio foi firmado para oferecer a você mais e melhores serviços, saúde e bem estar: desta vez entre a AFBEPA e a academia Power Fit, que funciona na Av. Augusto Montenegro, nº 530, próximo ao Entroncamento.

Com desconto fixo de 30% nas mensalidades de associados e familiares, em todas as modalidades, na Power Fit você pode escolher atividades físicas como: Musculação, Ginástica (F.I.T., Step, Localizada, Circuito, Combat e Jump On), Jiu-Jitsu, Personal Trainer, Boxe Feminino, Power Bike, além de Avaliação Física e Lanchonete. A equipe é composta por profissionais de Educação Física graduados e pós-graduados, preparados para atender a tendência do mercado atual que busca uma melhor qualidade de vida para as pessoas através da atividade física.

Agora é com você! Procure a AFBEPA e usufrua de mais esse excelente convênio. Se cuide!


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CONSTRUÇÃO




Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague



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O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO













Vinicius de Moraes

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.



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