sábado, 9 de outubro de 2010

GREVE: MURO HUMANO PARA ABRIR O DIÁLOGO

A greve no Banpará, fortalecida pelos bancários do banco e pela direção da AFBEPA, está na capa do jornal "O Liberal" de hoje, sábado, 09/10. A paralisação de dia inteiro na SUTEC foi, até agora, a notícia de maior repercussão desta Campanha Salarial 2010 no Pará.

Os bancários da SUTEC e da Ag. Senador Lemos estiveram à frente ou aderiram ao movimento de forma pacífica. Não houve nenhum tumulto, até o momento em que a PM chegou ao local, quando, então, dois bancários, Juebner Kleyder e Cristina Quadros, vice-presidenta da AFBEPA, foram agredidos com spray de pimenta. Foi registrado o boletim de ocorrência na delegacia mais próxima e as medidas judiciais cabíveis serão providenciadas pelo advogado da AFBEPA.

A greve teve início no dia 29 de setembro. Desde então, o banco apresentou apenas uma proposta para saída de greve, baseada em tíquetes alimentação. "Ninguém entra em greve por tíquete! Nós queremos melhores salários!" afirmou Kátia Furtado. A rebaixada proposta do banco foi rejeitada em assembléia. O banco se fechou e encerrou a mesa de negociação, com a anuência da direção sindical, que está articulando um abaixo-assinado para tentar votar novamente a proposta rejeitada.

Os bancários do Banpará querem reabrir a mesa de negociação entre o banco, o sindicato, e uma comissão de bancários, para que seja apresentada a contraproposta dos funcionários e se abra um calendário de negociação das cláusulas econômicas da Minuta de Reivindicações.

Além de "O Liberal", os jornais "Amazônia e "O Diário do Pará" também repercutiram a mobilização na SUTEC e na Ag. Senador Lemos. Da mesma forma os jornais em suas edições on line e televisivas.

Leia abaixo a matéria no Jornal "O Liberal".


BANPARÁ - Grevistas impedem que clientes usem caixas eletrônicos na Senador Lemos

Funcionários da agência Senador Lemos do Banpará (Banco do Estado do Pará) realizaram um protesto em frente ao prédio do banco. Ontem, os serviços bancários estiveram indisponíveis. Os clientes também ficaram impossibilitados de usar os caixas eletrônicos. Apenas nove funcionários do setor de tecnologia trabalharam. Eles administram o sistema operacional que controla os serviços dos caixas eletrônicos de todas as agências do Banpará, em Belém. A paralisação foi para pressionar a administração do banco a renegociar o reajuste salarial com a categoria. Eles se reuniram na última quarta-feira para realizar acordo, mas a administração do banco se recusou a atender o pedido de reajuste.

Indignados, os bancários bloquearam a entrada da agência do Banpará da Senador Lemos desde às 6h30 da manhã de ontem. Eles também fecharam a entrada da Municipalidade, local de acesso dos funcionários que operam o sistema que controla os caixas eletrônicos. Apenas nove funcionários - 30% dos servidores do setor - trabalharam para garantir o funcionamento do saque, compensação de cheque, pagamento de conta em dinheiro e outros serviços bancários considerados essenciais.

A presidente da Afbepa (Associação dos Funcionários do Banco do Estado do Pará), Kátia Furtado, informou que o protesto foi para pressionar a administração do banco a discutir com os bancários o reajuste salarial de 20%, licença prêmio para todos os servidores e outras reivindicações. Em tentativa de acordo realizada na última quarta-feira, a administração do Banpará apresentou como única proposta o pagamento de um tíquete de alimentação no valor de R$ 2500. A remuneração seria paga em três parcelas até o início de 2011. Segundo Kátia Furtado, por questões políticas o Sindicato dos Bancários teria dado pouca atenção à causa. 'A gente não faz greve por tíquete. O sindicato não apóia a greve e ainda orientou a gente a aceitar o acordo', disse.

Um servidor, que não quis se indentificar, disse que os nove funcionários só trabalharam porque entraram na agência às seis horas da manhã, antes dos manifestantes bloquearem as entradas. Segundo ele, o funcionamento dos serviços dos caixas eletrônicos depende do trabalho desses servidores. Paralisando o sistema, os clientes ficaríam impossibilitados de realizar saques ou fazer depósitos em dinheiro por até duas horas, tempo necessário para o problema ser resolvido.

Aborrecidos, alguns clientes esperaram na porta da agência na expectativa de poderem entrar na agência. '(O protesto) atrapalha a vida de todo mundo', disse o cliente Marco Aurélio Franco, parado em frente à agência, na esperança de poder sacar dinheiro para pagar a corrida do táxi. Policiais Militares estiveram no local para evitar um possível tumulto. Segundo a presidente da Afbepa, os servidores informaram aos clientes que o bloqueio dos caixas eletrônicos se restringiu àquela agência. Eles foram direcionados à outras agências.


Fonte: O Liberal



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ATUALIZAÇÃO às 17h sobre a GREVE.

FENABAN APRESENTA NOVA PROPOSTA, MAS AINDA É INSUFICIENTE.

Leia abaixo a notícia no site da Contraf/Cut.

Greve forte arranca nova proposta. Negociação continua nesta segunda

A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou ao Comando Nacional dos Bancários neste sábado 9 de outubro, 11° dia da greve da categoria, uma nova proposta que inclui reajuste de 9,82% para o piso salarial, 6,5% de reajuste para quem ganha até R$ 4.100 (e um valor fixo de R$ 266,50 para os salários superiores a esse valor). Propôs também 6,5% de reajuste para a PLR e todas as verbas salariais e auxílios.

O Comando Nacional dos Bancários considerou a proposta insuficiente e as negociações continuam nesta segunda-feira 11, às 11h. "A forte greve que a categoria está fazendo em todo o país forçou os bancos a retomarem as negociações e a apresentarem a nova proposta, mas consideramos o índice de reajuste insuficiente", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e coordenador do Comando Nacional. "Também é inaceitável esse teto de R$ 4.100. Isso significa que quem ganha acima de R$ 6.212 terá reajuste abaixo da inflação do período."Em relação ao piso da categoria, Carlos Cordeiro considera importante a sinalização por parte dos bancos de valorização, conforme reivindicação da categoria. "Mas esse índice de reajuste de 9,82% é também insuficiente diante da crescente lucratividade dos bancos", reage o presidente da Contraf-CUT.

Da mesma forma, o Comando Nacional dos Bancários considera muito rebaixado índice de reajuste de 6,5% sobre a PLR. "Os bancos precisam aumentar a distribuição da PLR em relação ao ano passado, uma vez que os lucros cresceram", rebate Carlos Cordeiro.

Leia mais em Contraf-CUT

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